"Houve um massacre": presidente Lula pede investigação independente sobre a operação policial contra o grupo criminoso Comando Vermelho que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro
- radiotatuapefm
- 4 de nov.
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"A ordem do juiz foi um mandado de prisão, não um mandado de assassinato, e houve um assassinato."
Com essas palavras, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou claro nesta terça-feira sua avaliação da operação policial realizada em 28 de outubro contra o grupo criminoso Comando Vermelho no Rio de Janeiro, durante a qual mais de 120 pessoas morreram.
Em entrevista coletiva, o presidente brasileiro descreveu a operação como "desastrosa" e destacou que seu governo pressionará por uma investigação independente.
O Comando Vermelho é uma das gangues criminosas mais antigas e poderosas do Brasil. Para lidar com isso, 2.500 forças de segurança foram mobilizadas em uma área de 9 milhões de metros quadrados, o equivalente a 72 estádios do Maracanã.
Os policiais uniformizados tinham a missão de fazer cumprir 180 mandados de prisão e 100 mandados de prisão. Segundo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi "a maior operação das forças de segurança" naquele estado.
Castro, que é aliado político do ex-presidente Jair Bolsonaro, explicou que a operação foi resultado de uma investigação que durou mais de um ano e precisou ser planejada para dois meses.
O governador descreveu a operação como um "sucesso", avaliação que não é compartilhada pelo presidente Lula.
"O fato concreto é que a operação, do ponto de vista do número de mortes, as pessoas podem considerá-la um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, acho que foi desastrosa", disse o presidente brasileiro.
Prisões, mortes e direitos humanos

A operação contra o Comando Vermelho consistiu em um macro-ataque a duas das maiores favelas da cidade do Rio de Janeiro, localizadas na zona norte.
Na presença das forças policiais, eclodiram intensos tiroteios. Segundo as autoridades, membros de gangues usaram drones para lançar bombas sobre policiais e colocaram e queimaram carros no meio de algumas estradas para formar barricadas.
O balanço oficial indica que armas e drogas foram apreendidas e pelo menos 81 pessoas foram presas.
Entre os presos está Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, considerado um dos líderes das operações de tráfico de drogas do Comando Vermelho. Nicolas Fernandes Soares, que as autoridades apontam como o operador financeiro de um dos traficantes, também foi preso.
Mas a operação também resultou em um alto número de mortes: 121, das quais quatro eram policiais.
Entre os falecidos, segundo a polícia do Rio, "mais de 95% dos identificados tinham ligações comprovadas com o Comando Vermelho e 54% eram de fora do estado".
"O trabalho de inteligência realizado pela diretoria de Segurança Pública do Estado identificou que 59 pessoas tinham mandados de prisão pendentes e pelo menos 97 tinham antecedentes criminais significativos", disseram eles em um comunicado.
O governo do Rio de Janeiro disse em nota que 17 dos mortos identificados não tinham antecedentes criminais, acrescentando que 12 deles "mostravam indícios de envolvimento com tráfico de drogas em suas redes sociais".
Organizações de direitos humanos e familiares dos falecidos questionaram a operação, considerada a mais letal registrada na região metropolitana do Rio de Janeiro desde 1990, segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense.
De acordo com a Agência Brasil, moradores das áreas onde a operação foi realizada disseram que dezenas de corpos foram encontrados na floresta, muitos dos quais com sinais de rendição, como mãos e pernas amarradas, além de sinais que sugerem que podem ter sofrido execução e tortura.
*Com informações de Ione Wells. Fonte : 'Houve um massacre': Presidente Lula pede investigação independente sobre a operação policial contra o grupo criminoso Comando Vermelho que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro - BBC News World


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